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NotŪcia - 15/03/2016 - Com direitos garantidos, empregadas dom√©sticas lutam por independ√™ncia
15/03/2016 - Com direitos garantidos, empregadas domésticas lutam por independência

‚ÄúUma amiga comentou que conhecia uma pessoa que precisava de algu√©m para cuidar do filho, e eu fui. Tinha 16 anos e queria minha independ√™ncia financeira‚ÄĚ, √© assim que Gleicir da Silva Rodrigues come√ßa a contar a sua hist√≥ria. Hoje aos 40 anos, ela lembra que a vida n√£o era f√°cil como empregada dom√©stica.

Sem qualquer direito trabalhista, separada e tendo que sustentar sozinha seus três filhos pequenos, torcia para que ela ou as crianças não ficassem doentes.

‚ÄúSe algo acontecesse comigo, como um acidente n√£o tinha direito a nada porque naquela √©poca a gente trabalhava para receber s√≥ o sal√°rio, n√£o havia seguro contra acidente ou algum outro benef√≠cio‚ÄĚ.

Depois dos 30 anos, ela realizou um de seus sonhos e concluiu os estudos. (Fotos: Alan Nantes)

Al√©m desta dificuldade, ainda tinha de encarar o preconceito de ser separada. ‚ÄúLembro que chegava sozinha com meus filhos em um evento e as pessoas me olhavam e me tratavam diferente‚ÄĚ

Vinte anos se passaram, nesse tempo os empregados domésticos conquistaram vários benefícios e hoje são tratados como um trabalhador, com direito a carteira assinada, férias e décimo-terceiro. Além disso, as mulheres tem mais espaço na sociedade, com ou sem marido. Neste 8 de março, Gleicir afirma que "tudo está melhor".

“Hoje a mulher não precisa ter marido ou se casar. E se ela quiser casar e se separar, ela pode. Temos força e podemos ter mais coragem. Enfrentei muitas barreiras, mas consegui vencer boa parte delas", destaca.

Gleicir continua trabalhando como babá e conta com orgulho como conseguiu em meio a tantos preconceitos da época criar e sustentar, seus três filhos sozinha, que hoje são os maiores orgulhos da sua vida.

‚ÄúTrabalhando como bab√° por mais de 20 anos consegui sustentar e criar meus filhos sozinhas. Hoje trabalho registrada e sempre tive a sorte de ter bons patr√Ķes. Meus filhos s√≥ foram atr√°s de emprego depois que fizeram 18 anos. Queria que estudassem e tivessem uma oportunidade melhor do que a minha. Me orgulho muito de falar isso‚ÄĚ.

Mesmo com trabalho registrado, Val faz diversos bicos para aumentar a renda. (Fotos: Alan Nantes)

Conquista - A história de Vanilza Marcelina Leonel é parecida. Separada há cinco anos depois de um casamento de 26, a empregada doméstica resolveu colocar um ponto final em sua submissão que durou quase que uma vida toda.

Chamada de Val pelos amigos, começou a trabalhar aos 13 anos para parar de pedir dinheiro aos pais. Sem terminar a escola por não ter noção da falta quer faria futuramente, ela sempre trabalhou como atendente em diversos segmentos.

‚ÄúMeu primeiro emprego foi trabalhar como recepcionista de um m√©dico, depois trabalhei em imobili√°ria e com√©rcio. O tempo foi passando e com a idade ficou cada vez mais dif√≠cil de arrumar emprego‚ÄĚ.

Cozinheira de mão cheia, ela auxiliou por muito tempo a tia que tinha um restaurante de beira de estrada, mas este dom acabou ajudando quando ficou desempregada. Já separada e precisando estabilizar sua casa que estava um caos por conta da saída do marido, ela vivia de bicos.

‚ÄúSem terminar os estudos e com a idade mais avan√ßada, as oportunidades de emprego foram se fechando pra mim‚ÄĚ. Poucos meses depois, por indica√ß√£o de sua ex-cunhada, ela conseguiu a chance de trabalhar como empregada dom√©stica na casa de um advogado trabalhista.

‚ÄúN√£o pensei duas vezes e agarrei na hora. Trabalho meio per√≠odo, ganho R$ 850, al√©m de todos os meus direitos. Estou muito satisfeita porque hoje posso tirar f√©rias tranquilamente, sem achar que serei demitida por aproveitar de um direito meu‚ÄĚ.

M√£e de dois filhos, Val consegue pagar as contas de casa e se diz satisfeita de ter mudado de profiss√£o. No Dia Internacional da Mulher, ela afirma que h√° muito que se comemorar.

‚ÄúAntes tinha at√© vergonha de falar que sou trabalhadora dom√©stica. Mas, hoje n√£o tenho o menor problema em falar porque temos os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador. E os direitos trabalhistas conquistados para empregada dom√©stica como o FGTS, carteira assinada e f√©rias deu mais independ√™ncia √†s mulheres que trabalham nesta profiss√£o. Hoje h√° muitas mulheres dom√©sticas que sustentam seus lares e sinto honrada em ser uma delas‚ÄĚ

Fonte: Campo Grande News
 
 
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