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NotŪcia - 11/04/2016 - Pensaram que eu era analfabeta, diz faxineira do STF que passou no √≥rg√£o
11/04/2016 - Pensaram que eu era analfabeta, diz faxineira do STF que passou no órgão

Ap√≥s cinco anos trabalhando como faxineira no Supremo Tribunal Federal, Marinalva Luiz achou que era uma brincadeira ver o pr√≥prio nome na lista de aprovados no concurso do √≥rg√£o. A mulher passou semanas mergulhada nos livros e anota√ß√Ķes para a prova de t√©cnico judici√°rio. O resultado tamb√©m surpreendeu colegas, que chegaram a insinuar que ela havia comprado o gabarito.
"Minha família e amigos já sabiam que eu ia passar, pois eu estudava sem parar e só falava em concurso e mais concurso", disse. "Muita gente, infelizmente, não gostou da novidade. As pessoas ficaram em choque, não esperavam que uma moça que trabalhou na limpeza do tribunal tivesse conhecimento suficiente para passar, ainda mais que concorri com quem já tinha se formado em advocacia. O preconceito está enraizado na sociedade brasileira ainda."
O concurso aconteceu em 2008. O sal√°rio previsto era de R$ 3 mil ‚Äď 500% a mais do que os R$ 500 que ela recebia mensalmente. Marinalva foi a 29¬™ colocada e aguardou os quatro anos de validade do certame pela convoca√ß√£o. Mesmo com a sele√ß√£o expirando antes, a mulher n√£o desanimou e passou em outras tr√™s provas: Superior Tribunal de Justi√ßa, Minist√©rio do Trabalho (onde est√° atualmente) e Minist√©rio P√ļblico da Uni√£o.
Para ela, o fato de sempre ter apreciado literatura influenciou nas conquistas. "Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam por que eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida."
A mulher tamb√©m baixou conte√ļdos em sites e pedia ajuda de amigos da fam√≠lia que trabalhavam no Judici√°rio. Nascida em An√°polis, cidade goiana a 160 quil√īmetros de Bras√≠lia, ela decidiu atuar na √°rea de limpeza porque o sal√°rio era melhor do que o que recebia trabalhando em uma loja para noivas e como costureira.
Marinalva diz que a fam√≠lia tinha pouco recursos, mas que nunca precisou parar de estudar. "N√≥s √©ramos pobres, mas t√≠nhamos tudo o que precis√°vamos. Livros, roupas, brinquedos; meus pais se esfor√ßavam e nos davam. Mas, como todo mundo, voc√™ sempre quer mais, e eu queria morar numa casa com piscina, muitas √°rvores, pois lembra muito a minha inf√Ęncia."
Segundo ela, a melhor vantagem do emprego no servi√ßo p√ļblico foi poder incluir a m√£e como dependente no plano de sa√ļde. "Ela foi muito bem tratada nos melhores hospitais do Plano Piloto e Taguatinga, especialmente no Santa Marta e S√£o Francisco, onde infelizmente, ela veio a falecer, h√° dois anos."
Marinalva conta que chegou a começar a estudar direito, mas decidiu trancar o curso por ver que não era exatamente o que queria. Ela voltou a costurar e diz sonhar em fazer moda nos próximos anos.
"Voltei a costurar por raiva", ri. "Toda vez que pedia uma costureira para fazer umas roupas, ela demorava demais ou [as peças] não ficavam do jeito que eu queria. Como já tinha trancado a faculdade, já estava procurando uns cursos para fazer, dar uma boa revisada em ajustes e conhecer novos métodos de ensino. Daí vi que realmente costurar é uma coisa que adoro fazer, independentemente de ser uma profissão. Todo dia faço algo. Para meus amigos e parentes, faço consertos e reformas."
Dicas
A mulher diz que, para a prova do STF, se preparou com o conte√ļdo de analista judici√°rio ‚Äď com curso superior ‚Äď e n√£o para o de t√©cnico. Assim, afirma, acumulava mais conhecimento. Ela tamb√©m conta que estava decidida a passar em concurso e que acha que a determina√ß√£o contribuiu para o sucesso.
"V√°rios colegas faziam deboche quando fui aprovada, vieram correndo me falar que n√£o iria ser chamada. √Č uma coisa que voc√™ v√™ se voc√™ quiser. Eu nunca deixei que me jogassem para baixo, mas n√£o imaginei que fosse calar a boca de tanta gente depois que fui aprovada", conta.
"A primeira dica √©: decida onde voc√™ quer trabalhar. Eu s√≥ fiz concurso para o judici√°rio porque as mat√©rias s√£o as mesmas e somente o regimento interno que muda. Fiz do Minist√©rio do Trabalho porque queria incentivar uma amiga a estudar e acabei fazendo a inscri√ß√£o no √ļltimo dia. Ca√≠ aqui de paraquedas", ri. "Segundo: estude por livros e sites, nunca compre apostilas. Al√©m de resumidas demais, s√£o car√≠ssimas. Um exemplo: quando estudava ainda para o STF, j√° tinha tudo quanto era exerc√≠cio feito. Uma amiga comprou uma apostila na banca de revista e fui dar uma olhada apenas nos exerc√≠cios sobre a legisla√ß√£o do tribunal."
Marinalva afirma que os exerc√≠cios eram iguais aos que j√° tinha em casa. A terceira dica dela √© manter o foco. "Vi gente estudando ao mesmo tempo para bancos, tribunais, ag√™ncias reguladoras, Metr√ī etc. Nossa! Voc√™ acha que nosso c√©rebro armazena todo esse tipo de informa√ß√£o em curto prazo? S√£o √≥rg√£os diferentes, as mat√©rias √†s vezes tamb√©m s√£o."
A mulher conta se sentir feliz ao ver que outras pessoas ficam motivadas ao estudar quando conhecem a história dela. Para ela, a principal lição com a própria experiência foi ver que todo mundo é capaz.
"Eu passei num concurso que era disputadíssimo entre os funcionários da minha empresa, estagiários. Eu passei e eles não. O diferencial foi que não estudei para passar, estudei para aprender e entender como funciona o nosso Estado Brasileiro. Fui devagarinho. O que não entendia, voltava e fazia tudo de novo. E uma frase que resume bem o eu fiz foi: “Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez."

Fonte: G1
 
 
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